João Gabriel dixit



"Indignação performativa


O permanente 'agarrem-me senão eu vou' — para depois ficar tudo na mesma, ou até recuar — passou a ser a marca desta direção do SL Benfica e do seu presidente. Quando um clube com a dimensão do Benfica ameaça, mas não age em conformidade, o efeito é o inverso: o clube fica preso a um ciclo estéril de indignação performativa para consumo externo.


Em maio de 2025, após a final da Taça de Portugal e depois de um erro de arbitragem grosseiro que adulterou o resultado do jogo, o Benfica assumiu uma das posições mais duras dos últimos anos. Anunciou participações disciplinares, exigiu áudios do VAR, ameaçou recorrer a instâncias internacionais e suspendeu — supostamente — a colaboração com processos estruturantes do futebol português. Parecia um momento de rutura. Parecia, mas não foi. Foi um 'basta' inflamado, mas absolutamente inconsequente.


Rui Costa: «Não podemos aceitar o castigo inqualificável a Mourinho por factos que comprovadamente não aconteceram»

Meses depois, já em campanha eleitoral, Rui Costa voltou ao mesmo registo. Falou em evidências, exigiu respostas ao Conselho de Arbitragem e à FPF, denunciou a dualidade de critérios e reiterou a necessidade de 'respeito'. O tom era o mesmo. A indignação também. Mas nada mudou. As palavras perderam-se na euforia da vitória eleitoral, enquanto, na Cidade do Futebol, prevaleceu o silêncio e a indiferença em relação às exigências vindas da Luz. O tal 'projeto' que se apoiou de forma cega para não ir em 'contramão', atropelou o Benfica de forma dolosa ou negligente, tanto faz!


Apesar de tudo isto, pasme-se, no aniversário do clube - ao mesmo tempo que Rui Costa voltava a exigir respeito - Pedro Proença sentava-se na primeira fila da gala institucional mais simbólica do clube. O Benfica ofereceu palco, honra e centralidade institucional a quem — desde que chegou à FPF — o desrespeita. Não é apenas incoerente. É incompreensível. Tudo isto corrói, de forma ostensiva, a autoridade de qualquer instituição ou líder.


De Rui Costa, Proença já teve o que queria. Talvez daqui a três anos, quando a nova campanha para a FPF se aproximar, volte a dar-lhe importância. Até lá, iremos de 'murro na mesa' em 'murro na mesa' até ao naufrágio final."

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